De repente todos resolvem contrair matrimônio na cobertura de algum edifício, desde o topo de um arranha-céu luxuoso em São Paulo até o último andar de algum novo museu no Rio de Janeiro. Neste caso, a primeira opção que se insinua é o recém-inaugurado espaço do MAR. O nome é assim mesmo, um acrônimo simpático que incorpora o mais evocativo elemento da identidade carioca. O Museu de Arte do Rio é uma dos trunfos do doravante batizado Porto Maravilha, projeto de revitalização da antiga área portuária da capital fluminense, com vistas às Olimpíadas de 2016.

O projeto do MAR se propõe a integrar duas edificações adjacentes, uma eclética, outra moderna, no sentido de usufruir do espaço de ambas para as instalações do novo museu. Para isso, foi construída uma delgada casca de concreto ondulante que serve de cobertura integral para o último pavimento do Edifício Sede da Antiga Policia Civil Metropolitana e se prolonga em direção ao Palacete Dom João VI, envolvendo-o parcialmente. Ainda que o valor metonímico desse elemento tenda a se transfigurar em uma metáfora óbvia, e a proposta de intervenção soe, à primeira vista, excessivamente literal, a felicidade do projeto reside no fato de colocar em evidência um elemento frequentemente preterido nos projetos arquitetônicos: a cobertura.

A zona portuária se destaca por ser uma área pouco verticalizada e ambos edifícios regulam bem suas altimetrias, o que basta para determinar um diálogo produtivo com o entorno da Baía de Guanabara. O projeto do museu se aproxima, assim, do que ele pretende ser, ao mesmo tempo extensão e expressão da alma carioca. Além de conseguir estabelecer, como foi dito, um novo estatuto ao elemento arquitetônico da cobertura. Só mesmo o logotipo do museu que fica à deriva em alto-MAR.  

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